segunda-feira, 30 de abril de 2012



DENTRO DA CAIXA
                        “E em ti amo ó fera implacável cruenta
                               até mesmo a frieza que o encano te aumenta.” (Baudelaire)

Era fria, indesejavelmente fria
masculina e cruela, apenas ría
Seu segredo nos olhos se vía
... Era fria porque por dentro morria.

Certo dia, relutante e restrita,
apareceu a versão masculina da senhorita.
Ela desiludida, convicta,
só conseguia dizer - “ Você me irrita!”

Até que, em uma primavera
Fizeram ela acreditar que era bela,
e uma caixa foi entregue a donzela
-         camurça, cetim e pételas...

A caixa era apenas dela.
A caixa, elo, a caixa, ela...
Imobilizada ela não sabia mais quem era
Mas reconhecia a valia de quem lhe dera.

                        Paloma L. Araújo.
                        16-09-2011
SEXTA-FEIRA 13 


Ontem a incomum chuva de meteorítos 
Prenunciou nosso cadáver sentimento 
Que tentei ressuscitar até o derradeiro momento 
E que você comumente envenenou aos gritos. 


Ainda ontem, a Lua sorria no céu 
Já você, senhor da ausente temperança 
Não ri, nem me concebe esperança 
De perdoar-me nem mesmo como réu. 


Mágica sexta-feira treze de Fevereiro 
Onde já vivemos augustas caricias 
E no ritual da vida, fostes o primeiro 
A amar-me e completar ardentes fantasias... 


 Ah angústia! Demônio do passado. 
 Nessa nova sexta-feira treze de Agosto 
Faço conjúrios para que vejas o quanto está errado 
E para cessar esse augusto desgosto. 


 PALOMA L. ARAÚJO. 
                      13-08-2010

domingo, 17 de julho de 2011


CABARET BLASÉ

As perdidas encontradas da sala azul,
Plumagem e Pária, tinham linguajar salival.
Incendiavam o frio imo do sul
por um demente encanto surreal.

Os olhos lustrosos e os ouvidos ensurdecidos
se poliam mutuamente e povoavam o marginalizado salão.
A fumaça de letra-menta dos 'desassumidos
intercalava com a mão e mente da solidão.

Com a oscilação de um Programador Rígido
a convenção luxuriosa era apenas um momento,
Pária vintage era apenas um momento.

A errante índole, a sagrada libido, a caluniosa liberdade,
a energia decaindo, a força subindo, e a verdade – blasé!
Manar, morrer... serenamente blasé.

Plumage não oscilou,
o veneno escorreu e ela decretou –“ Touchée!
Não vivo prazer clandestino clichê.”


PALOMA L. ARAÚJO
17-07-11

sábado, 1 de janeiro de 2011


O ÚLTIMO AFRANCESADO.

Franciel olha sobre o céu de quase Paris,
os fogos do reveillon explodir...
Ah! São Paulo, quase tão parisiense
quanto Franciel quis.
Mas como seu chão não é sobre a França,
nem seu céu sobre Paris,
Franciel fica a fantasiar de como seria tal país...
Ela lá, ele aqui.
Que grande aliança,
Franciel e França – assim como amour e ami
fascinação pela formosura de seu U e de seu
I
Agora, depois de Marrie,
Franciel é chamado de François,
e ainda que não seja francês,
seu galicismo engoliu seu guarani.

Paloma L. Araújo.
01-01-11

PARISIENSE


Nesta manhã, acordei e Paris sorriu para mim,
povou minha mente com a valsa de Amelie,
E se disse a espera de alguém assim;
amante de suas ruas, mademoiselle jolie.

Mas como chegar a pátria de meu sonho
se ainda vejo o céu do outro lado do oceano?
Como alcançar a cidade luz, se ainda ponho
boina sobre sua prima São Paulo, neste ano?

Enfeitiçada Paris... vinho, crepê, acordeon,
can can, jardin 'hiver, democracia e som...
Quero olhar teus grandes narizes pálidos
e conquistar o olhar snobe de teus afilhados.

Amada minha, mostre-me seu bico, abra-me seus braços,
aceite-me em todos os seus Arcos,
cafés e espaços, pois mais que afrancesada
sou a amante que, em ti, busca ser naturalizada.

PALOMA L. ARAÚJO.
01-01-11.

quinta-feira, 15 de julho de 2010


AFINANDO ANJOS.

Com toda a minha admiração e ciência
Fui buscar nos versos teus o que me dá enlouquecia,
Mas em meio de toda análise acadêmica
Não encontrei provas nem sua post-mortem clemência.

Enigmático ser ilustre paraibano
Gostaria de relatar te como maldito,
Mas tudo é mais científico e Herculano
Do que Alvarez de Azevedo ou Byroniano.

Poeta dos coveiros e das grandes sinas
Augusto das impensadas rimas das alturas
Por essa que vos fala, hierofante de suas liras
Tenho as mesmas angustias das involuntárias desventuras.

Amo-te augustamente, e nessas tuas escritas
Descobri a incapacidade de desvendar seus arranjos
Nem romântico, nem parnasiano ou simbolista...
Sou a lama para um afinador de Anjos.

Paloma L. Araújo.
15-07-2010

sexta-feira, 21 de maio de 2010



VIRADA BURLESCA

Seus olhos pequenos estavam fechados,
Deu lágrimas quentes para os meus arregalados.
Se meu choro demasiado pudesse me afogar,
Acusaria você, por deixar-me no amor naufragar.

Eu indigente para seu sentido embriagado...
Cremou-me ao se perder na rua com a cor do pecado.
Enquanto na vida te burilei por necessidade,
Você burlou a minha noite da felicidade.

Bastava uma noite para gozar da sonhada vida
Mas os sofridos dias uniram-se a promessa não cumprida,
Que só adiantou a golpes essa minha partida.

Assim como Neruda com seu açoite,
Por ter te amado, eu poderia escrever
Os versos mais tristes naquela noite.


PALOMA L. ARAÚJO
20/05/2010